Tem gente usando coworking como “terapia social” sem perceber

Existe uma cena cada vez mais comum na rotina de quem trabalha remotamente: a pessoa acorda, pega o notebook, trabalha algumas horas, almoça no mesmo lugar, participa de reuniões por vídeo e continua trabalhando até o fim do expediente. Em teoria, tudo funciona. Na prática, depois de algumas semanas ou meses, pode surgir uma sensação difícil de explicar.

Não necessariamente falta produtividade, mas também, por falta de convivência. O crescimento do trabalho remoto trouxe uma liberdade que dificilmente será abandonada, mas também colocou em evidência uma questão que durante muito tempo ficou em segundo plano: o que acontece quando o ambiente de trabalho deixa de ser também um espaço de interação social?

Essa pergunta ajuda a entender por que os coworkings passaram a representar algo maior do que simplesmente uma alternativa ao escritório.

“Talvez você não esteja procurando um novo escritório. Talvez esteja procurando um lugar para ir.”

O trabalho remoto resolveu um problema e criou outro

O home office não desapareceu depois da pandemia. Pelo contrário, ele se consolidou como uma possibilidade permanente para milhões de trabalhadores.

Dados da PNAD Contínua mostram que 6,5 milhões de pessoas trabalhavam a partir de casa no Brasil em 2024, número que correspondia a 7,9% do total de ocupados. O levantamento do IBGE inclui pessoas que trabalhavam integralmente ou parcialmente em casa, além de trabalhadores que tinham o próprio negócio na residência.

O interessante é que o trabalho remoto não precisa ser entendido como uma substituição definitiva do escritório. O próprio crescimento dos modelos híbridos mostra que existe uma procura por maior flexibilidade na organização do trabalho.

A questão, então, deixa de ser simplesmente “casa ou escritório?” e passa a ser: qual ambiente funciona melhor para cada momento da rotina?

O problema não é trabalhar sozinho

É importante fazer uma distinção. Estar sozinho não significa necessariamente estar solitário. Uma pessoa pode passar algumas horas trabalhando em silêncio e se sentir perfeitamente bem. A solidão, por sua vez, está relacionada à percepção de que existe uma diferença entre as conexões sociais que temos e aquelas que gostaríamos ou precisaríamos ter.

A Organização Mundial da Saúde passou a tratar a conexão social como uma questão relevante de saúde pública. Segundo a OMS, aproximadamente uma em cada seis pessoas no mundo relata sentir solidão, e entre adolescentes e jovens adultos esse índice chega a cerca de uma em cada cinco pessoas.

Em 2025, a Comissão da OMS sobre Conexão Social publicou um relatório dedicado ao tema e destacou que isolamento social e solidão estão associados a impactos importantes na saúde física e mental, além de consequências para comunidades, educação e economia.

Isso não significa que trabalhar de casa cause solidão. Seria uma conclusão muito mais forte do que as evidências permitem.

Mas existe uma conexão interessante entre os dois fenômenos: quando o trabalho deixa de proporcionar interações presenciais, uma das fontes cotidianas de contato social também desaparece.

E é justamente aí que o conceito de coworking começa a ficar mais interessante.

O café no meio da tarde pode ser mais importante do que parece

Imagine duas rotinas: na primeira, você trabalha sozinho em casa durante oito horas. Todas as conversas acontecem por WhatsApp, Teams, e-mail ou videoconferência.

Na segunda, você trabalha no mesmo período, mas passa algumas horas em um ambiente compartilhado. Você conversa rapidamente com alguém no café, pergunta sobre um projeto, conhece uma pessoa nova, troca uma indicação ou simplesmente trabalha cercado por outras pessoas.

Nenhuma dessas experiências substitui amizades ou relações profundas. E nem deveria.

Mas elas produzem algo que o trabalho remoto pode reduzir: contato social espontâneo.

A OMS define conexão social considerando não apenas a quantidade de relações, mas também a frequência das interações, o suporte recebido e a qualidade dessas relações.

Isso ajuda a explicar por que ambientes compartilhados podem ter uma função que vai além da infraestrutura.

Você não precisa necessariamente chegar ao coworking pensando em fazer networking. Às vezes, a interação acontece justamente porque ninguém estava tentando fazê-la acontecer.

“Nem toda conexão precisa começar com um cartão de visita.”

Coworking não é terapia, mas pode combater o isolamento da rotina

Aqui existe uma diferença importante, porque chamar coworking de “terapia social” é uma provocação, não uma definição literal. Um espaço de trabalho não substitui terapia, amizades, família ou outras formas de cuidado. O que ele pode oferecer é uma estrutura cotidiana de convivência.

Pesquisas sobre coworking já identificaram justamente essa dimensão social. Um estudo sobre os chamados espaços de coworking virtuais, por exemplo, destaca que ambientes de coworking são associados a possibilidades de proximidade social, motivação e compartilhamento de conhecimento, embora esses benefícios dependam da forma como o espaço e a comunidade são estruturados.

Isso é importante porque coworking não significa simplesmente colocar várias pessoas na mesma sala. Um espaço pode estar cheio e continuar sendo socialmente vazio.

A diferença está na existência de oportunidades reais para interação, troca de conhecimento e construção de comunidade.

Talvez seja por isso que o coworking esteja mudando

Durante muito tempo, coworking foi apresentado principalmente como uma solução prática: uma mesa, internet, sala de reunião, endereço profissional e um custo menor do que manter um escritório próprio. Esses benefícios continuam existindo, mas a experiência evoluiu. Hoje, para muitas pessoas, escolher um coworking também significa escolher onde querem passar parte do próprio dia.

A pergunta deixa de ser apenas “quanto custa uma mesa?” e passa a envolver outras questões:

Eu consigo me concentrar aqui?

Gosto de estar neste ambiente?

Tenho contato com outras pessoas?

Consigo separar melhor trabalho e vida pessoal?

Esse lugar combina com a rotina que quero construir?

Essas perguntas ajudam a explicar por que o coworking pode funcionar especialmente bem para profissionais autônomos, freelancers, empreendedores e pessoas que trabalham remotamente, mas não querem transformar a própria casa em escritório permanente.

O futuro talvez não seja casa ou escritório

A discussão sobre o futuro do trabalho costuma ser apresentada como uma disputa entre dois modelos: presencial ou remoto. Mas talvez essa seja uma simplificação.

O crescimento do trabalho híbrido e dos espaços flexíveis aponta para uma realidade mais interessante: as pessoas querem autonomia, mas não necessariamente querem isolamento; querem flexibilidade, mas também precisam de estrutura.

A própria Organização Mundial da Saúde aponta que fortalecer conexões sociais exige criar oportunidades para que as pessoas se encontrem, participem de comunidades e estabeleçam relações significativas.

Nesse contexto, espaços compartilhados podem assumir um papel interessante na vida urbana.

Não porque resolvam a solidão sozinhos, mas porque criam uma situação simples que o home office muitas vezes elimina:

você precisa sair de casa para trabalhar.

E, quando sai, encontra outras pessoas. Talvez seja esse o detalhe que faz tanta diferença.

“Às vezes, o que muda o seu dia não é uma grande conversa. É simplesmente não passar o dia inteiro sozinho.”

No fim, talvez seja sobre ter um lugar para ir

O coworking não precisa substituir o escritório tradicional, assim como não precisa substituir o home office. Ele pode ocupar justamente o espaço entre os dois.

Um lugar para quem quer trabalhar com autonomia, mas prefere ter movimento ao redor. Para quem gosta da liberdade do trabalho remoto, mas sente falta de uma rotina fora de casa. Para quem quer produzir, mas também quer que o trabalho faça parte de uma vida que acontece fora da tela.

E talvez seja por isso que tanta gente comece a frequentar um coworking sem perceber que está buscando algo além de uma mesa, está buscando rotina, ambiente e convivência.

No Vilaj, é justamente essa combinação que faz parte da experiência: um espaço para trabalhar, mas também para encontrar pessoas, trocar ideias e construir uma rotina que não aconteça inteiramente dentro de casa.

Talvez você não precise voltar para o escritório. Talvez só precise encontrar um lugar que faça sentido para a sua rotina.

Conheça o Vilaj e experimente trabalhar de um jeito diferente.